Escolha da Especialidade Médica

Depois de escolher estudar Medicina e concluir o curso, a escolha da especialidade e os processos seletivos envolvidos constituem praticamente um “segundo vestibular”. Apesar de no Brasil serem ainda encarados com suspeição, aos poucos programas de orientação e cursos preparatórios têm encontrado espaço (à semelhança do que ocorre nos EUA) ao lado dos processos mais informais já existentes:

  • meio familiar;
  • influências de colegas, professores/preceptores;
  • experiências ao longo do curso.

Assim como as consultas de orientação vocacional da época do vestibular, a decisão sobre a especialidade médica a ser escolhida é um processo individual — ninguém deveria fazer as escolhas apenas a partir de questionários ou pelas influências citadas anteriormente sem ter bem claras as razões por trás da escolha. Cabe notar ainda que não existem especialidades “melhores” ou “piores” senão dentro das escolhas específicas de cada pessoa. E que, dependendo da especialidade escolhida, ainda haverá a escolha da sub-especialidade, cuja escolha ficará mais simples ao se entender o processo de escolha não como um “chute no escuro”, mas como um processo sistemático de análises e decisões:

Fatores a considerar
Autoconhecimento Preferências
Valores
Habilidades (pontos fortes /pontos fracos)
Conhecimento das opções Análise dos motivos da escolha (ou não) de cada especialidade
Rotinas diárias de trabalho
Mercado de trabalho
Decisão Cursos, trabalhos, estágios opcionais são alguns meios para conhecer melhor a área
(e até para constar no currículo)

Diferentemente dos EUA, não há um número suficiente de vagas e apenas 58,9% dos médicos brasileiros (conforme o relatório Demografia Médica no Brasil 2015) possuem alguma especialidade. O conjunto das especialidades consideradas básicas ou gerais (Clínica Médica, Pediatria, Cirurgia Geral, Ginecologia e Obstetrícia, Medicina de Família e Comunidade e Medicina Preventiva e Social) concentram 40,3% do total de registros.

Ou seja, muito mais aqui que nos EUA a escolha da especialidade depende também de oportunidade e pode envolver mudança de domicílio (outro município ou até mesmo outro estado). Alguns acabam se resignando às possibilidades da disputa pelas vagas e partem para o “Plano B (ou C, D, etc.)” Como as opções de formações e de trabalho são bem mais restritas fora dos grandes centros, há pouco incentivo para explorá-las mais a fundo.

Nos EUA há tempos a especialização é obrigatória para se obter licença de trabalho, o que não ocorre ainda (ao menos em tese) no Brasil. Daí a existência de vasto material de apoio (em inglês) relativo à escolha da especialidade, técnicas de comunicação eficaz, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, planejamento financeiro.

No resultado de uma rápida busca na Amazon com os termos “medical”, “specialty” (ou “residency”) e “choice” destacam-se os seguintes títulos:

  • Freeman, Brian, M.D. The Ultimate Guide to Choosing a Medical Specialty (Lange Medical Book). 4th ed. McGraw-Hill Education, 2018. (544 páginas)
  • Iserson, Kenneth V., M.D. Iserson’s Getting Into A Residency: A Guide for Medical Students. 9th ed. Gale Group Inc., 2019. (688 páginas)
  • Taylor, Anita D., M.A. Ed. How to Choose a Medical Especialty. 6th ed. Student Doctor Network, 2016. (417 páginas)

São leituras interessantes, com a ressalva de se aplicarem à realidade do estudante de colleges americanos. Como dito acima, aos poucos tem se firmado a necessidade de materiais de apoio mais adaptados à nossa realidade. Desde as publicações da Profa. Dra. Patrícia Lacerda Bellodi (a tese Personalidade e escolha de especialidade médica: o clínico e o cirurgião para além dos estereótipos e o livro O clínico e o cirurgião: estereótipos, personalidade e escolha da especialidade médica) surgiram outros títulos em português sobre o assunto:

  • Matos, Marcela. Seu Futuro em Medicina. Ed. Fundamento, 2009. (224 páginas)
  • Nunes, Caio; Santana, Marco Antônio. Como Escolher a Sua Residência Médica. Ed. Sanar, 2014. (456 páginas)

Um link (em inglês) interessante sobre o assunto:

Medical Specialty Aptitude Test da Escola de Medicina da Universidade de Virgínia (Vide atualização no post Alguns Links que Eu Gostaria de Ter Conhecido (ou Que Existissem) na Época da Faculdade de 13/06/2020.)


Bibliografia:

Scheffer, M.(coord.) Demografia Médica no Brasil 2015. São Paulo: Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP; Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo; Conselho Federal de Medicina, 2015.
Careers in Medicine®AAMC. Acessado em abril de 2020.

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