Gamificação (Parte I): o Caso do SimHealth™

A Thinking Tools, Inc. desenvolveu uma simulação num formato “gamificado” da administração e formulação de políticas num sistema de saúde. A Maxis (que se tornou uma divisão da Electronic Arts a partir de 1997) em conjunto com a Markle Foundation publicariam essa simulação em 1994 sob o nome de SimHealth.

O jogo tinha o objetivo de propor uma discussão sobre a proposta de 1993 de reforma do sistema americano de saúde (o Health Security Act) do então presidente Bill Clinton. A proposta visava abordar a crescente complexidade, controlar mais efetivamente o aumento dos custos do sistema e a aumentar a abrangência deste. Não chegava a ser um sistema socializado, mas dava vários passos nessa direção.

The loftiness of President Clinton’s goals may not survive the devil in the details, suggests the author of this article, who identifies four fundamental flaws in the Health Security Act of 1993. First, the act does not link the benefit package of coverage offered to all Americans with the funding available from employers or government to pay for these benefits; second, the act does not provide incentives for consumers to use health resources wisely; third, the act relies too much on government regulation; and fourth, the act provides few incentives for medical research, new drugs, and improved technology.

(CLARKE, 1994.)

O SimHealth tinha os seguintes requisitos mínimos de sistema:

  • Processador 80386
  • 4 MB de RAM
  • Hard Disk
  • Mouse
  • VGA (16 cores)
  • MS-DOS 3.1

A Maxis já havia publicado vários jogos de simulações bem-sucedidos comercialmente (sendo o SimCity o mais conhecido deles), mas o SimHealth não conseguiu o mesmo grau de sucesso. O assunto é espinhoso, a interface pouco atrativa para um jogo vendido para o publico geral e o nível de dificuldade era insano. Mas a simplificação (difícil de acreditar para quem precisa passar por telas após telas de textos) dos conceitos e dos efeitos de mudanças das variáveis acabaram por diminuir a sua utilidade em contextos educacionais.

Resumindo: complicado demais para uso geral e simplista demais para administradores, epidemiologistas, sanitaristas.

There are, of course, important differences between computer simulation games and the simulations used to assess policy options. The games are designed to be entertaining; fidelity to empirical reality is not foremost. But simplification is inherent in any simulation. Even “real” simulations (if that is not an oxymoron) inevitably rely on imperfect models and simplifying assumptions that the media, the public, and even policy makers themselves generally don’t understand. Both types of simulation are examples of what might be called a crossover intellectual technology, one that has only recently moved from academic and technical fields into popular and public use. The crossover of simulation holds out the promise of an enriched understanding of the world, particularly of complex systems. But there is a danger too: forgetting that simulations depend on the models on which they are built.

(STARR, 2001.)

Nota:

O governo democrata de Bill Clinton não conseguiu aprovar a Health Security Act no Congresso. O assunto só voltaria à discussão com a promulgação da Affordable Care Act (2010), já sob o governo de Barack Obama.

Bibliografia:

Clarke, Richard L. President Clinton’s Health Security Act: a financial perspective. Health Care Manag. 1994 Aug;1(1):35-43.
Salvador, Phil. SimHealth. The Obscuritory. 01/08/2016. Acessado em abril de 2021.
Starr, Paul. Seductions of Sim: Policy as a Simulation Game. The American Prospect. 19/12/2001. Acessado em abril de 2021.
SimHealth for DOS (1994). MobyGames. 22/01/2001. Acessado em abril de 2021.

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