Estilo de Moxabustão de Fukaya

Fukaya Isaburō [深谷伊三郎] (1901-1974 EC) foi um mestre praticante de moxabustão e que criou o estilo que leva o seu nome. O estilo Fukaya de moxabustão caracteriza-se por dois aspectos principais:

  • O uso dos cones de moxa diretamente sobre a pele (okyū [お灸])
  • O uso de um tubo oco de bambu sobre os pontos, visando simultaneamente
    1. Pressionar a região do ponto
    2. Controlar a quantidade de ar e, assim, a intensidade e velocidade de queima do cone
    3. (Antes da aplicação do okyū, a pressão do tubo de bambu serve também para detectar áreas de estagnação de Ki [気] e Chi [血])

É importante saber o momento de aplicar o tubo para evitar que o cone se apague antes da hora ou que se retire o tubo e o cone esteja ainda queimando. Fukaya Isaburō sintetizou os princípios de seu tratamento em cinco ítens principais:

  • Nunca acredite em fórmulas fixas de tratamento para todos
  • Na dúvida utilize sempre o ponto que dói ao apertar
  • Busque como desafio máximo da técnica o ponto único do paciente
  • A quantidade de cones mais indicada também varia para cada pessoa
  • Sequência da moxa
    (De cima para baixo e da esquerda para direita, acendendo os cones em ziguezague)

(Citado de CUNHA, Antônio A. e HOGA, Teruyoshi)

Ele escreveu vários livros sobre o assunto e Irie Seiji [入江靖二] (1928-1997 EC), seu discípulo e sucessor, deixou comentários adicionais sobre o tratamento:

  • Os pontos estão situados geralmente na borda dos ossos ou dos músculos, ventres musculares, perto de vasos ou em áreas próximas ao pulso.
  • As localizações do ponto indicadas nos livros de texto devem ser utilizadas apenas como guias. As localizações devem ser feitas através do método de palpação.
  • Na ausência de qualquer reação e em qualquer meridiano, pode-se tentar três variações para mostrar um ponto reativo:
    1. examinar outra vez após a mudança de posição do corpo do(a) paciente;
    2. examinar outra vez após mudar o ângulo do dedo que pressiona a pele;
    3. examinar enquanto, simultaneamente, muda a posição do corpo e o ângulo dos dedos.

(IRIE, Seiji, apud PIÑANA, Felip C. Citação do livro cotejada com o post “Iriye Seiji” do blog Moxibustión Japonesa)

A principal característica de pontos vivos/reativos (ikita tsubo [活きた壺]) é a presença de alteração de umidade e consistência locais da pele, endurecimento (“esponja”/“borracha”/“osso”) e dolorimento local.

Pela importância da localização dos pontos reativos para o tratamento, os Dez Mandamentos de Fukaya repetem várias dessas orientações.

  • Não há ponto eficaz, a não ser que você o faça eficaz
    (É essencial saber a quantidade, o tamanho e a densidade dos cones de moxa para determinar o efeito desejado)
  • As localizações padrão do ponto são utilizadas apenas como referência
  • O ponto de acupuntura é dinâmico
  • Utilize os pontos “especiais” para tratar com eficácia
  • Para tratar com eficácia, utilize poucos pontos
  • O ponto não será eficaz se não há reação
  • Não trate somente a área sintomática
  • Usar pontos especiais não é a única maneira de se chegar ao êxito no tratamento
  • O número e tamanho dos cones de moxa depende da constituição do corpo do paciente
  • Localize os pontos habilmente

(Citado de PIÑANA, Felip C e cotejado com CUNHA, Antônio A. e HOGA, Teruyoshi.)

A dinamicidade da localização destes pontos é uma característica comum às várias escolas de Acupuntura e Moxabustão no Japão (Sugiyama, Sawada, Keiraku Chiryō, Toyohari) em relação às chinesas. Este conceito pode ser uma explicação para as diferentes localizações dos pontos nas várias escolas, que sejam provavelmente os mesmos pontos descritos sob diferentes condições.


Bibliografia:

Cunha, Antônio A.; Hoga, Teruyoshi. A Moxaterapia Japonesa Okyu – Yaito. 1a ed. São Paulo: Ícone Editora, 2006.
Piñana, Felip C. O Calor que Cura: Okyu, Moxabustão Japonesa 1a ed. trad. São Paulo: Editora Inserir, 2018.
Iriye Seiji (em espanhol). 17/05/2010. Acessado em agosto de 2020.

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